"Devo dizer que a noite fica mais escura sem você pra
ser minha lanterna. E que as estrelas parecem não brilhar tanto quanto antes.
Mas elas permanecem ali, e eu continuo achando essa imensidão linda. Devo
ressaltar também que eu ainda sinto teu tocar em mim, essencialmente em minhas
mãos. Delicado, mas ao mesmo tempo firme. Adianto já que esse não é mais um dos
meus textos melancólicos feitos a inspiração com nome e sobrenome, causado pela
minha inseparável insônia de não te ter mais. Eu sinto você, e sinto muito.
Nosso jogo terminou no final do primeiro tempo, não houve um segundo, muito
menos acréscimos finais. Foi um jogo, um jogo cujo qual não houve empate, nem
vitória. Mas sim derrota, e foi das duas partes. Fomos corrompidos por um
excesso de nada. Um fiozinho de mancada quem sabe. O fato é que eu não vim aqui
pra apontar algo referente a tudo o que passou. Mas me diz aí: Quando foi que
eu comecei a te perder? Eu lembro das coisas, e só o que eu consigo enxergar
sou eu parada nesse presente-"imperfeito", corroída por memórias de
um passado não tão distante, e tendo que aceitar um futuro imprevisto e
incerto. Um novo amanhã quem sabe. Mas dessa vez sem você. E isso que me dói
sabe? Ter de imaginar o meu eu, sem o teu eu. Juntos. É como se eu pudesse sentir
as migalhas que sobraram do nosso amor dentro do meu peito totalmente aos
prantos. Talvez seja mais acessível eu pensar que isso tudo não passa de um
baita pesadelo. Daqueles que eu tinha vezenquando e te acordava com mais de 27
mensagens dizendo o quanto eu te amava. Tudo isso era passatempo, pra mim ter a
certeza de que eu tinha alguém pra me proteger de todo aquele mal. Poupe-me ter
mudar meu pensamento em relação a você. Receio que já saiba, eu não quero as
merrecas que sobraram desse teu pseudo-amor. Eu não quero tua amizade. Não cabe
a mim aceitar somente ela. Não cabe no meu peito, em todo esse vacúolo que tem
nele. Não cabe a você mentir que esse vai ser o melhor pra gente. E o pior de
tudo, é que nem propriamente você consegue acreditar em toda essa baboseira. E
por mais que eu tente, eu não consigo compreender o motivo pelo qual ocasionou
todo esse incomodo. O que foi dito não basta. Não se torna suficiente. Eu tô
confusa. E você continua sendo uma droga. Por escolha ou fatalidade, a minha
predileta."
Escritora de Boteco, (A última vez babaca)
Gabriela Garcia.